Este é o notebook certo pra quem carrega o computador todo dia e cansou de fingir que um 15,6″ de 1,8 kg é portátil. Ele pesa 1,39 kg, tem 1,5 cm de espessura e chassi de alumínio — e aqui vai a verdade da categoria que ninguém te conta: ultraportátil de verdade não tem versão de entrada no Brasil. Quando levantamos os concorrentes diretos com Windows, 16 GB e menos de 1,5 kg, em julho de 2026, os que existiam no varejo brasileiro partiam da casa dos R$ 6 mil — e sobraram pouquíssimos modelos ativos nesse recorte. Abaixo desse valor, o que te vendem como “notebook leve” é um 15,6″ comum.
A tela é o ponto onde a Lenovo promete e entrega. Ela vende um painel OLED — o tipo de tela em que cada ponto acende sozinho, o que dá preto de verdade em vez de cinza — com 400 unidades de brilho, cobrindo 100% da escala de cores profissional DCI-P3 (a régua que fotógrafos e editores de vídeo usam). A medição independente confirma: 388 unidades de brilho no centro da tela e exatamente os 100% de DCI-P3 prometidos, com 627 em conteúdo HDR — e vale dizer que essa é a medição da versão sem tela sensível ao toque, que é justamente a deste aparelho. A webcam Full HD, o reconhecimento facial, a tampa de privacidade e os quatro alto-falantes também entregam o que prometem — o áudio foi descrito como excelente por quem testou.
No acabamento, o marketing sugere mais refino do que a peça entrega — mas o problema é mais estreito do que parece. Quem testou o mesmo corpo registra um leve rangido na dobradiça quando a tela abre no ângulo máximo. Já o touchpad divide as duas fontes que puseram a mão nele: uma chama o clique de “barato e oco”, a outra só diz que “poderia ser mais silencioso”, elogiando a superfície como grande, lisa e precisa. Ou seja: o incômodo é o barulho do clique, não o deslizar do dedo — o “touchpad suave” do anúncio se sustenta na superfície, não no som.
O que a gente não pôde conferir — e por que isso importa. Nenhuma imprensa independente testou esta configuração exata: todos os testes que encontramos do mesmo chassi foram feitos na versão com processador mais forte (Core Ultra 7), não no Core Ultra 5 deste aparelho. Como desempenho e autonomia dependem diretamente do processador instalado, esses números não valem como prova aqui. Então o “até 11 horas de bateria” e o ganho de velocidade com a inteligência artificial embarcada ficam no campo do declarado pela marca, sem verificação de terceiros até 15/07/2026. Isso não quer dizer que o notebook seja lento ou que a bateria seja ruim — quer dizer que ninguém de fora mediu, e a gente não coloca nosso selo no que não pôde conferir. É o limite da nossa verificação, e ele é a razão da nota do primeiro pilar — não uma acusação à Lenovo.
No pós-venda a Lenovo surpreende pra melhor: a resposta padrão dela para defeito neste aparelho é mandar um técnico até a sua casa — a gente viu isso em relatos de consumidores em três estados diferentes e na própria resposta oficial da empresa, que descreve a visita técnica como o procedimento normal. É melhor do que o “mande pelos correios e espere” que domina a categoria. A ressalva é a outra ponta: o acesso é excelente, a resolução pode travar. Há um caso com duas visitas do técnico à casa da consumidora e troca da bateria em que, mesmo assim, o problema continuou — com o diagnóstico apontando que nada de irregular foi constatado, o caso ficou cerca de dois meses sem solução. E há um detalhe do relógio da garantia que você precisa conhecer: a garantia de fábrica começa a contar quando a revenda recebeu o aparelho, não quando você comprou — a própria Lenovo publica isso e adiciona cerca de um mês de compensação, mas quem ajusta o prazo pro seu nome é o registro do produto com a sua nota fiscal. A boa notícia: pelo Código de Defesa do Consumidor, o prazo legal conta da entrega a você de qualquer jeito. Ainda assim, registre no dia em que a caixa chegar — é o que evita a discussão.
Sobre o preço — e é aqui que mora a ressalva que você consegue resolver. Duas coisas seguram este notebook: uma passa e a outra não. A que não passa é a falta de teste independente desta configuração — ela é permanente e é o que impede o selo verde. A que passa é o momento: ao longo dos últimos doze meses o preço dele variou mais de R$ 2 mil, e ele passou cerca de metade do período no patamar mais baixo dessa faixa. Então, antes de tudo: você topa memória que não dá pra ampliar nunca, uma dobradiça que range no ângulo máximo e um clique de touchpad barulhento? Se qualquer um desses for decisivo pra você, nem um bom preço compensa — o caminho é outro aparelho. Se você aceita esses limites, aí sim a conta é de preço: confira o preço do dia acessando a loja e compare com as faixas da seção Rastreabilidade de Preços. Em Bom Negócio, é compra a qualquer hora; em Preço OK, vale se você tem pressa — e, no patamar de custo de hoje, ter pressa não é defeito. Se o preço estiver acima dessas faixas, o problema não é esperar 2025 voltar: é que, por esse valor, um concorrente igual ou melhor já sai mais barato hoje — vale olhar outra loja ou outro modelo antes de fechar. Só não conte com uma queda pra mudar o selo: como o primeiro pilar fica abaixo de 7 pela ausência de teste independente, um preço melhor melhora o custo-benefício, mas sozinho não promove este aparelho a Recomendado.